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terça-feira, 11 de junho de 2013

A ARTE DE SER FELIZ

Bom dia meus queridos (as)! Essas diversas fases da natureza, essas constantes mudanças de clima....me remete a  uma palavra que adoro e que durmo e acordo com ela:POSSIBILIDADES e não tem como não acreditar em dias melhores se acreditamos em possibilidades e eu acredito, e é dentro dessa crença que eu vou me construindo e experienciando momentos de grande beleza e por falar  em beleza, olhem que coisa linda esse texto de Cecília Meireles que nos diz que tudo depende da forma que vemos, com que olhar observamos as coisas mais simples....





  
 A arte de ser feliz 
 
Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim. 


Cecília Meireles


quarta-feira, 5 de junho de 2013

A BELA POESIA DO COTIDIANO

Boa noite meus queridos (as)! Nenhum discurso político, nenhuma argumentação filosófica, apenas um  olhar registrando a bela poesia do cotidiano.









           Último sábado resolvi sair pra almoçar fora, respirar um pouco, ver o movimento da vida, sentir o cheiro de gente,  me sentir viva dentro desse encantador cotidiano,  coisas que não tenho feito normalmente. Em um dado momento a pessoa que estava dirigindo o carro, (às vezes não consigo por conta de algumas reações) estacionou e foi resolver um problema seu, fiquei dentro do carro esperando, quando para ao lado um senhor com um carro de picolé, alguém perguntou se ele havia vendido muito picolé, onde  com alguns poucos dentes na boca e assim mesmo estragados, um grande chapéu de palha que certamente não havia impedido proteger a pele pois estava extremamente avermelhada e ressecada, com um semblante tranquilo respondeu: - oxe, não vendi nada! mesmo com esse sol, a feira de artesanato  cheio de turista, nem uma mosca passa,  mas eles não querem picolé não, só querem cachaça. O que me impressionou foi a tranquilidade, a serenidade com que aquele senhor relatou aquele dia de insucesso. E fiquei pensando a forma simples como esse povo vive e encara a vida, fiquei pensando nessa linda capacidade do povo, verdadeiramente povo não ser contaminado por essa busca desenfreada do “ter” que a classe alta, media alta... Sei lá o que  são tão escravas. Fiquei imaginado um grande empresário relatando um dia como esse. E aí o senhor seguiu com o seu carro de picolé, sem reclamar, sem blasfemar, sem desistir, seguiu. Em seguida fui à casa da minha irmã e quando voltava quem eu encontro? Um carro de picolé estacionado em frente a um barzinho, meu olhar buscou imediatamente  os detalhes do cenário e está lá, aquele chapéu, aquele mesmo senhor tomando a sua cerveja com a boca escancarada, não esperando a morte chegar mas, dando boas risadas da vida e pra vida. Fiquei encantando com a cena e ela só me disse uma coisa: como complicamos a vida! Como tudo seria diferente, mais leve... se fôssemos menos escravos.

domingo, 2 de junho de 2013

SARAU............

Bom dia meus queridos (as)! Um domingo de esperanças, possibilidades, sonhos e muita poesia. Não sei o que houve mas, acordei ás 6 horas e os livros pareciam se movimentar no melhor lugarzinho do meu apartamento, a poesia quase fala e aí óbvio, me rendi. Algumas folhas amareladas pelo tempo mas, a beleza de cada palavra, de cada expressão estava ali, intactas... a   essência, o humano, o sentimento, sonho.....tudo do mesmo jeitinho e o resultado foi esse: um sarau: eu e meus eternos companheiros e companheiras de prosa e poesia:

Vamos lá?



                                    VINÍCIUS DE MORAIS- NOVA YORK-1950
Poética
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.




  

AUTOPSICOGRAFIA

 O poeta é um fingidor.
 Finge tão completamente
 Que chega a fingir que é dor 
 A dor que deveras sente. 
 E os que leem o que escreve, 
 Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, 
Mas só a que eles não têm. 
 E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, 
 Esse comboio de corda Que se chama o coração.

FERNANDO PESSOA 


    
 CLARICE LISPECTOR

 O sonho
Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.


 FERREIRA GULLAR   
 Traduzir-se


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?






sábado, 1 de junho de 2013

ESTAMOS COM FOME DE AMOR

Bom dia meus queridos (as)! Um dia de muitas alegrias! e que tal uma rápida leitura dessa  excelente crônica de Arnaldo Jabor?

Estamos com fome de amor
Arnaldo Jabor


Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias. Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos. Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida? Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós. Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!". Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis. Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega. Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta. Mas (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois. Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida". Antes idiota que infeliz!