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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

MINHA VOZ

Bom dia meus queridos seguidores! vou começar o dia colocando o que está tão somente em mim:

Falarei do meu amor,
aos mutilados
pela falta de esperança.

Falarei da minha dor,
aos que se escondem
com medo de amar.

Falarei da minha solidão,
aos que se perdem
no vazio das multidões.

Falarei de mim,
do meu corpo ardente
da m'alma sedenta...
aos que se fecham
aos que se perdem 
e se acham
e não desistem de ir
ao encontro
não sei de que
buscando não sei pra que
mas se encontram
embora frágeis
em si.


Cida Ribeiro

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

CURIOSIDADES DA LITERATURA

Bom dia meus queridos seguidores! vamos lá! com mais algumas curiosidades sobre esse nomes sagrados da literutura?





O escritor brasileiro Aluísio Azevedo (imagem acima) tinha o hábito de desenhar e pintar os personagens de seus livros sobre papelão.

No início da carreira, o escritor George Bernard Shaw teve que ser sustentado pela mãe por que não conseguia vender seus livros.

O primeiro volume de Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, foi publicado às custas do próprio autor, uma vez que havia sido recusado por diversas editoras.

O poeta Carlos Drummond de Andrade publicou o seu primeiro livro, com tiragem de 500 exemplares, com o dinheiro do próprio bolso.

Foi com suas últimas economias que o escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez publicou sua obra-prima Cem Anos de Solidão. A primeira tiragem de oito mil exemplares se esgotou em 15 dias.

O poeta chileno Pablo Neruda só conseguiu publicar seu primeiro livro, Crepusculário, depois de vender todos os seus bens para financiá-lo.

A ópera La Traviata, de Giusepi Verdi, foi inspirada no romance A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas, filho.

A ação do livro Ulisses, de autoria do irlandês James Joyce, transcorre num único dia. Até hoje, a data é celebrada pelos fãs do escritor no que se convencionou chamar de “Blomsday”.

Apesar de ser conhecido apenas como romancista, o brasileiro José de Alencar também escreveu várias peças de teatro. Entre as suas peças estão “Nas Asas de um Anjo”, “Mãe” e “O Demônio Familiar”.

O irlandês George Bernard Shaw exerceu também a função de jornalista durante toda a vida.

O poeta português Fernando Pessoa foi criado na África do Sul e teve o inglês como a sua segunda língua.

Guimarães Rosa, famoso escritor brasileiro, morreu três dias depois da sua posse na Academia Brasileira de Letras.

A escritora cearense Raquel de Queiróz foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras.

Existe uma lenda de que o poeta Álvares de Azevedo nasceu na biblioteca da Faculdade de Direito de São Paulo. A verdade, no entanto, é que o autor de Lira dos Vinte Anos veio ao mundo na casa do seu avô materno.

Existem dúvidas e mais dúvidas à respeito do Homero histórico e sobre as obras Ilíada e Odisséia. A origem e até a existência de Homero são incertas. Alguns estudiosos acreditam que tanto a Ilíada quanto a Odisséia são de autores diferentes. Outros acham que Homero compilou suas obras de poemas populares.

A poetisa chilena Gabriela Mistral foi a primeira personalidade literária latino-americana a receber o prêmio Nobel.

A norte-americana Toni Morrison foi a primeira pessoa negra e a oitava mulher a ganhar o prêmio Nobel. Morrison foi escolhida para o Nobel de literature de 1983.

O escritor nigeriano Wole Soyinka foi o primeiro africano a ganhar um prêmio Nobel.

O escritor e filósofo francês Jean-Paul Sartre rejeitou o prêmio Nobel de literatura de 1964.

Dom Quixote, obra-prima do espanhol Miguel de Cervantes, obteve um sucesso tão grande na época da sua publicação que um anônimo escreveu uma segunda parte do romance.

O romance Os Tambores de São Luís, do brasileiro Josué Montello, possui nada mais, nada menos que 400 personagens.

A poetisa goiana Cora Coralina só não participou da Semana de Arte Moderna de 1922, realizada em São Paulo, por que seu marido não permitiu.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

ONDE VOCÊ COLOCOU O SAL?

Bom dia meus queridos! Uma semana de alegrias, conquistas, saúde e aquele grande desejo de viver bem.


Onde Você colocou o Sal?

O velho Mestre pediu ao jovem aprendiz que estava triste, que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d’água e bebesse.

-’Qual é o gosto?’ – perguntou o Mestre.

-’Ruim’ – disse o aprendiz.

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.

Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago. Então o velho disse:

-’Beba um pouco dessa água’. Enquanto a água escorria do queixo do jovem o Mestre perguntou:

-’Qual é o gosto?’

-’Bom!’ disse o rapaz.

-’Você sente o gosto do sal?’ perguntou o Mestre.

-’Não’ disse o jovem.

O Mestre então, sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:

-’A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta.

É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu. Em outras palavras:

É deixar de Ser copo, para tornar-se um Lago.’

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

ADÉLIA PRADO

Boa tarde, meus queridos! hoje essa linda está completando 77 anos, penso que todos nós somos muito gratos  por sua presença poética no mundo:

AMOR NO ÉTER . Adélia Prado . Há dentro de mim uma paisagem entre meio-dia e duas horas da tarde. Aves pernaltas, os bicos mergulhados na água, entram e não neste lugar de memória, uma lagoa rasa com caniço na margem. Habito nele, quando os desejos do corpo, a metafísica, exclamam: como és bonito! Quero escrever-te até encontrar onde segregas tanto sentimento. Pensas em mim, teu meio-riso secreto atravessa mar e montanha, me sobressalta em arrepios, o amor sobre o natural. O corpo é leve como a alma, os minerais voam como borboletas. Tudo deste lugar entre meio-dia e duas horas da tarde. .demÊncia
AMOR NO ÉTER . Adélia Prado . Há dentro de mim uma paisagem entre meio-dia e duas horas da tarde. Aves pernaltas, os bicos mergulhados na água, entram e não neste lugar de memória, uma lagoa rasa com caniço na margem. Habito nele, quando os desejos do corpo, a metafísica, exclamam: como és bonito! Quero escrever-te até encontrar onde segregas tanto sentimento. Pensas em mim, teu meio-riso secreto atravessa mar e montanha, me sobressalta em arrepios, o amor sobre o natural. O corpo é leve como a alma, os minerais voam como borboletas. Tudo deste lugar entre meio-dia e duas horas da tarde. .demÊncia
AMOR NO ÉTER . Adélia Prado . Há dentro de mim uma paisagem entre meio-dia e duas horas da tarde. Aves pernaltas, os bicos mergulhados na água, entram e não neste lugar de memória, uma lagoa rasa com caniço na margem. Habito nele, quando os desejos do corpo, a metafísica, exclamam: como és bonito! Quero escrever-te até encontrar onde segregas tanto sentimento. Pensas em mim, teu meio-riso secreto atravessa mar e montanha, me sobressalta em arrepios, o amor sobre o natural. O corpo é leve como a alma, os minerais voam como borboletas. Tudo deste lugar entre meio-dia e duas horas da tarde. . Adélia Luzia Prado Freitas (Divinópolis, 13 de dezembro de 1935). Nas palavras de Carlos Drummond de Andrade: "Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: esta é a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis". demÊncia
 GRANDE DESEJO

Não sou matrona, mãe dos Gracos, Cornélia,
sou mulher do povo, mãe de filhos, Adélia.
Faço comida e como.
Aos domingos bato o osso no prato pra chamar cachorro
e atiro os restos.
Quando dói, grito ai.
quando é bom, fico bruta,
as sensibilidades sem governo.
Mas tenho meus prantos,
claridades atrás do meu estômago humilde
e fortíssima voz pra cânticos de festa.
Quando escrever o livro com o meu nome
e o nome que eu vou pôr nele, vou com ele a uma igreja,
a uma lápide, a um descampado,
para chorar, chorar, e chorar,
requintada e esquisita como uma dama.
 
Adélia Prado
 
 
 
PAIXÃO
 
 
“De vez em quando Deus me tira a poesia.
Olho pedra, vejo pedra mesmo.
O mundo, cheio de departamentos,
não é a bola bonita caminhando solta no espaço.”


Adélia Prado, em “O coração disparado”



AS MORTES SUCESSIVAS

Quando minha irmã morreu eu chorei muito
e me consolei depressa. Tinha um vestido novo
e moitas no quintal onde eu ia existir.
Quando minha mãe morreu, me consolei mais lento.
Tinha uma perfuração recém-achada:
meus seios conformavam dois montículos
e eu fiquei muito nua,
cruzando os braços sobre eles é que eu chorava.
Quando meu pai morreu, nunca mais me consolei.
Busquei retratos antigos, procurei conhecidos,
parentes, que me lembrassem sua fala,
seu modo de apertar os lábios e ter certeza.
Reproduzi o encolhido do seu corpo
em seu último sono e repeti as palavras
que ele disse quando toquei seus pés:
‘deixa, tá bom assim’.
Quem me consolará desta lembrança?
Meus seios se cumpriram
e as moitas onde existo
são pura sarça ardente de memória.


Adélia Prado, em “Bagagem”